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Exercício físico durante a gravidez: quando, como e com que frequência?

29/01/26
Exercício físico durante a gravidez: quando, como e com que frequência?

O texto abaixo foi originalmente publicado no site The Conversation, que tem como objetivo disseminar o conhecimento acadêmico e científico de maneira acessível. Publicamos a tradução na íntegra do texto escrito pelos autores, acadêmicos e pesquisadores responsáveis pelo estudo – que com certeza vai interessar a você, leitora do Dia de Beauté!

Durante muito tempo, acreditou-se que praticar exercícios durante a gravidez poderia ser arriscado. Muitas mulheres evitaram se movimentar por medo de prejudicar o bebê ou ter complicações durante o parto. No entanto, hoje sabemos que exercícios planejados e supervisionados por profissionais não só são seguros, mas também muito benéficos para a saúde da mãe e do feto. Pesquisas comprovam isso.

Na realidade, as novas recomendações enfatizam a importância de manter a atividade física, adaptando-a a cada fase da gravidez. O exercício ajuda a regular o peso e pode prevenir problemas como diabetes gestacional ou hipertensão.

Razões para continuar a fazer exercício

A atividade física moderada durante a gravidez traz múltiplos benefícios para a saúde: por exemplo, ajuda a controlar o peso, mantendo-o dentro dos limites saudáveis – isto reduz o risco de obesidade após o parto. Também diminui as probabilidades de desenvolver diabetes gestacional, uma vez que melhora a sensibilidade à insulina e regula o açúcar no sangue.

Além disso, o exercício ajuda a prevenir a pré-eclâmpsia, pois melhora a saúde dos vasos sanguíneos e reduz a pressão arterial. Mulheres ativas também têm menos risco de precisar de cesáreas ou partos instrumentais. Estar em forma ajuda a tolerar melhor o esforço do parto e a se recuperar mais rapidamente.

A atividade física também reduz os casos de macrossomia fetal, ou seja, bebês que nascem com peso excessivo, o que pode dificultar o parto.

E, finalmente, movimentar-se durante a gravidez melhora o bem-estar emocional: diminui a ansiedade e a depressão e melhora a qualidade de vida da gestante.

Exercício na gravidez não é risco: é cuidado, prevenção e saúde para mãe e bebê.

Orientações para se movimentar durante a gravidez

O melhor momento para começar a praticar exercícios é no primeiro trimestre, sempre com a aprovação de um profissional de saúde e levando em consideração o estado de saúde da gestante. As recomendações do Colégio Americano de Obstetras e Ginecologistas indicam pelo menos 150 minutos semanais de atividade moderada – o equivalente a cerca de 30 minutos por dia, cinco dias por semana.

Você pode caminhar, praticar atividades aquáticas, andar de bicicleta ergométrica ou fazer exercícios de baixo impacto. Alongamentos, exercícios de força leves e práticas como ioga pré-natal também são úteis. É fundamental evitar esportes com risco de quedas ou impacto no abdômen. A partir do segundo trimestre, não é recomendável fazer exercícios deitada de barriga para cima, pois isso pode afetar a circulação. Também é importante se hidratar bem e evitar o calor excessivo.

Aspectos fisiológicos específicos a serem considerados

A gravidez implica uma série de transformações fisiológicas que afetam o funcionamento do corpo. Uma das principais mudanças é que o coração trabalha mais: o gasto cardíaco pode aumentar até 50% para cobrir as necessidades do bebê e da mãe. Isso significa que o sistema circulatório se esforça mais, mesmo em repouso.

A respiração também fica mais rápida. É normal sentir um pouco de fadiga ao fazer exercícios, mesmo que leves.

Outra mudança importante é a ação de um hormônio chamado relaxina: essa substância aumenta a elasticidade da gestante, preparando o corpo para o parto, mas também pode aumentar o risco de lesões se forem realizados exercícios intensos ou mal controlados.

Além disso, à medida que o abdômen cresce, o centro de gravidade se desloca. Isso afeta o equilíbrio e pode alterar a forma de andar.

Por isso, é importante adaptar o exercício a cada fase da gravidez. Com a ajuda de profissionais, é possível manter-se ativa de forma segura e benéfica.

Impacto no tipo de parto e no bebê

A prática de exercícios também influencia a forma como o parto ocorre. Conforme indicado, mulheres ativas têm menos chances de ter cesáreas ou intervenções médicas: elas estão mais bem preparadas fisicamente e toleram melhor o esforço. Os bebês de mães ativas geralmente apresentam um peso mais equilibrado ao nascer, o que diminui o risco de complicações.

Um estudo liderado pela pesquisadora Mª José Aguilar Cordero, da Universidade de Granada, mostrou que a inatividade física durante a gravidez está associada a um maior risco de parto prematuro, baixo peso ao nascer e necessidade de internação em cuidados intensivos neonatais.

Uma ferramenta muito poderosa

Longe de ser um risco, a atividade física é uma arma muito poderosa para melhorar a saúde da mãe e do bebê. Praticar exercícios regularmente, de forma adaptada e segura, ajuda a controlar o peso, prevenir problemas como diabetes gestacional ou hipertensão e preparar-se melhor para o parto. Também melhora o humor, reduz a ansiedade e favorece uma recuperação mais rápida após o nascimento. O segredo está em se movimentar com bom senso e orientação adequada.

É preciso deixar os mitos para trás e apostar em uma gravidez ativa e saudável.

The Conversation

Elena Mainer Pardos e Alberto Roso Moliner, Professores e Investigadores da Universidad San Jorge com Graduação em Ciências da Atividade Física e Esportes. Este artigo está na Edição em Espanhol do THE CONVERSATION.

{Fotos: DI LAI, Yan Krukau e Pavel Danilyuk/ Pexels}

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