Ansiosa pra testar esses produtos Coreanos.
K‑Beauty no Brasil: a tendência que virou rotina
26/01/26
Entenda os princípios da rotina em camadas, quais texturas escolher para o clima tropical e os ativos e procedimentos em alta

Limpar, lavar, esfoliar, tônico, essência, sérum, outro sérum, hidratação e proteção solar: bem-vindas ao universo do skincare coreano. O conjunto de técnicas e conceitos de cuidados com a pele que ficou conhecido como K-Beauty nasceu na Coréia do Sul (o “K” vem de Korean) e, nos últimos anos, conquistou corações, rostos e corpos ao redor do mundo, especialmente no Brasil, onde tem uma legião de adeptos.
Afinal, o que é K-Beauty?
A K‑Beauty não é só a famosa “rotina de dez passos” que circula nas redes. Trata-se de uma forma de pensar o cuidado com a pele que prioriza prevenção, saúde e consistência ao longo do tempo, ao invés de apenas corrigir os sinais do envelhecimento quando eles aparecem. A abordagem sul-coreana é profundamente baseada em ciência e entende a pele como um órgão vivo, que precisa estar equilibrado, bem hidratado, protegido e com a barreira cutânea íntegra.
Segundo a médica especialista em dermatologia Mariana Gradowski, as múltiplas etapas surgiram como um conceito cultural, não como uma regra. “O mais importante é escolher produtos adequados, bem formulados e usá-los corretamente. Uma rotina bem feita pode ter três ou quatro passos e ser extremamente eficaz.”
No entanto, não há dúvidas de que a K-Beauty redefiniu a forma de cuidar da pele ao transformar o skincare em ritual, influenciar hábitos de autocuidado e impulsionar um novo modelo de consumo de beleza no Brasil. O boom de procedimentos estéticos, como a harmonização facial com ácido hialurônico observada durante a pandemia de Covid-19 provocou, nos anos seguintes, um movimento inverso, conhecido como quiet beauty (algo como beleza silenciosa), que prioriza a busca por resultados naturais, progressivos e sustentáveis — assim como pregam os sul-coreanos.
Não à toa, marcas da Coréia do Sul como Medicube, Skin1004, Beauty of Joseon e Laneige tomam as prateleiras de lojas de cosméticos no Brasil e pelo mundo. As exportações de cosméticos sul-coreanos atingiram a cifra de 11,43 bilhões de dólares em 2025, segundo levantamento feito pelo governo do país, representando um aumento de 12,3% e superando recordes anteriores.
A K-Beauty não é sobre excesso, mas sobre constância, prevenção e respeito à fisiologia da pele.
Como implementar a K-Beauty na sua rotina?
Para a doutora Mariana Gradowski, constância é a palavra-chave quando pensamos em skincare coreano. “A pele responde ao que é feito todos os dias, não ao excesso”, afirma. Segundo ela, a K-Beauty é conhecida por ativos que respeitam a fisiologia da pele e, apesar de serem bastante esmiuçados nas redes sociais, não dispensam orientação médica para o uso.
É possível, no entanto, aprender com as trends do Instagram e TikTok alguns princípios básicos, como a double cleansing (limpeza do rosto em duas etapas: primeiro com óleo de limpeza, depois com sabonete), hidratação e proteção solar — mesmo nos dias sem sol!
Porém, é importante lembrar que os produtos sul-coreanos não foram pensados para a pele tropical brasileira, e sim para climas mais frios e secos. Por isso, a médica aconselha a escolher texturas mais leves, evitando sobreposição excessiva e sempre ajustando para o seu tipo de pele.
No Brasil, é possível encontrar produtos de K-Beauty tanto em redes de lojas de maquiagem e cosméticos como a Sephora, quanto em lojas e e-commerces de nicho, como a Jini Cosméticos, que vende tanto online, quanto em espaços físicos em São Paulo, a Ecare Cosméticos e a The Wabi-sabi, que são importadoras oficiais, ou seja, elas dispõe de um estoque legalmente trazido para o país e aprovado pela ANVISA (Agência Nacional de Vigilância Sanitária).
Qual o futuro da K-Beauty?
A metodologia sul-coreana influenciou não apenas os cuidados diários com a pele, mas também a demanda dos pacientes em consultórios dermatológicos. Mariana Gradowski conta que observa diariamente em sua prática uma busca maior de procedimentos que visam a melhora global da textura da pele, firmeza e luminosidade, com resultados naturais e progressivos.
A especialista esteve presente no Koreaderma 2025, congresso mundial de dermatologia que aconteceu na Coréia do Sul no ano passado e destacou as principais tendências da estética para os próximos anos. Entre elas, ela ressalta os protocolos regenerativos, multicamadas e altamente personalizados.
Ativos presentes em séruns e cremes, como os exossomos e o PDRN, lideram os tratamentos regenerativos. “Já injetáveis como os bioestimuladores de colágeno seguem em destaque, agora com uso mais estratégico e respeitando a anatomia e a dinâmica facial. Além do PLLA, a Coreia vem difundindo o PDLLA, com partículas mais estáveis e maior previsibilidade clínica. A toxina botulínica amplia seu papel, sendo utilizada em microdoses com função reparadora, modulando inflamação, cicatrizes e melasma”, conta Mariana.
Entre as tecnologias, a médica frisa a radiofrequência monopolar, que se destaca pela capacidade de reorganizar fibras de colágeno e preservar a gordura facial, tornando-se especialmente relevante em pacientes que utilizam medicações emagrecedoras.
As prospecções são ainda mais positivas para aqueles que têm pele acneica: “O foco voltou-se à glândula sebácea, com dispositivos capazes de modular sua atividade e reduzir a inflamação de forma mais duradoura”, conta Mariana.
A K‑Beauty traz lições valiosas: rotinas com propósito, ênfase na prevenção e produtos que respeitam a fisiologia da pele. No Brasil, adaptar texturas e escolher formulações apropriadas é o caminho para incorporar os benefícios sem exageros. E, para procedimentos e tecnologias, a palavra de ordem é: avaliação individual e acompanhamento profissional.
Confira abaixo alguns produtos que a gente indica:
Mabi Barros é jornalista com uma década de atuação no mercado, especializada em comunicação de moda e beleza pela Parsons School of Design. Atualmente é mestranda em Têxtil e Moda pela EACH-USP, unindo conhecimento acadêmico e prática editorial para criar conteúdos que conectam tendências ao dia-a-dia dos leitores.
{Foto: reprodução Instagram @xopeachy_keen}
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