Perfumaria árabe e asiática, cheiro de pele, fragrâncias que despertam emoções e as tendências olfativas que temos visto por aí

Um dos temas mais amados por aqui no universo da beleza, a perfumaria tem despertado cada vez mais paixões, descobertas e emoções nos últimos anos. Sabemos que o Brasil sempre teve um caso de amor intenso com fragrâncias (o brasileiro é conhecido por ser um povo cheiroso né?), mas o cenário atual está mais vibrante e multifacetado do que nunca! Se antes reinavam os aromas mais frescos e as notas mais leves (perfeitas para o nosso clima tropical, claro!), agora a busca é por intensidade, exclusividade e, acima de tudo, emoção. Mais a nossa cara, impossível!
Essa efervescência não é só papo, é fato comprovado por números robustos. O Brasil não é para brincadeira no quesito cheiros: somos o terceiro maior mercado de perfumes do mundo, atrás apenas dos Estados Unidos e da China.
O segmento de luxo, em particular, está em plena ascensão: no primeiro semestre de 2024, o mercado de beleza de prestígio faturou quase R$ 2 bilhões, um crescimento de 18% em valor e 11% em volume de vendas em comparação com o mesmo período de 2023.
Mais do que isso, o perfume deixou de ser um item de luxo esporádico e virou essencial no ritual de bem-estar. A pesquisa Kantar de 2025 revelou que 65% dos lares brasileiros consomem perfumes, um avanço de 15% em relação ao ano anterior, totalizando um faturamento de aproximadamente R$ 18 bilhões. Impressionante né?
“A América Latina performa acima da média global, com Brasil e México liderando os resultados, apoiados pelas inovações da indústria. Os consumidores estão valorizando a experiência e a alta qualidade, o que impulsiona o segmento de prestígio,” afirma Ana Seccato, Diretora Comercial da Circana.
Perfumes são alta costura em estado líquido.
Quatro tendências que estão no ar (e na pele!)
Daqui, a gente monitora as tendências e o que mais temos visto neste mercado tão aquecido e apaixonante. E alguns dos principais movimentos que dominam o hype da perfumaria global atualmente são: a opulência árabe consolidada, o minimalismo asiático em ascensão, o novo luxo silencioso dos skin scents e as fragrâncias que despertam emoções. Vem que a gente te conta tudo!
1. Perfumaria Árabe: um fenômeno que veio para ficar!
A perfumaria árabe, na verdade, sempre existiu, mas era muito restrita a pessoas que viajavam ou que já conheciam as marcas por referências internacionais. O que impulsionou a sua popularidade de forma avassaladora foi (advinha?) a internet, principalmente o TikTok: a plataforma se tornou um verdadeiro motor de descoberta e troca entre os usuários.
O público brasileiro, que já tem uma paixão por perfumes mais potentes e marcantes (quem nunca usou um bom gourmand no verão, né?), encontrou nessas fragrâncias uma alternativa super interessante e, o melhor de tudo, com preços bem mais acessíveis do que os perfumes de nicho europeus. A curiosidade foi aguçada e, de repente, todo mundo queria experimentar essa perfumaria diferente, com frascos que parecem joias e nomes que são quase poesias.
E não é tudo a mesma coisa, viu? Para quem ama explorar este universo cheio de camadas e complexidades que é a perfumaria, a árabe tem de sobra: dentre as principais vertentes, temos gourmands, florais brancos e frutados, e amadeirados e especiados. Vale experimentar!
2. A nova onda: perfumaria asiática (Japão, Coréia e Vietnã)
Após anos de domínio das notas intensas e opulentas (oud, âmbar, especiarias) do Oriente Médio – que foi a região de maior crescimento em vendas de perfumes premium entre 2018 e 2022, segundo a Euromonitor –, o ciclo está virando.
Enquanto a perfumaria árabe é densa, a asiática propõe leveza, frescor e espiritualidade; utilizando como ingredientes-chave chá verde, matchá, arroz e flor de lótus, que dialogam com o estilo de vida minimalista da região.
Replicando o sucesso da K-Beauty no setor de fragrâncias, a Coreia do Sul teve alta de 16,1% nas exportações em 2023. Já o Japão aposta no minimalismo e na sofisticação com matérias-primas naturais; e o Vietnã é a nova surpresa, com marcas de nicho que exploram a herança botânica local e embalagens sustentáveis.
Segundo a especialista em perfumaria Poliana Palhano, gerente da Fragrance de L’Opéra (Paris), “(a perfumaria asiática) traz leveza, modernidade e uma conexão cultural profunda — é uma proposta que conversa com o futuro do consumo global.”
3. Skin Scents: o luxo silencioso do “cheiro de pele”
Uma revolução silenciosa da perfumaria, os skin scents são o minimalismo olfativo que abraça a clean girl aesthetic. Frequentemente comparada ao cheiro reconfortante que se percebe imediatamente após um banho quente (antes da aplicação de óleos ou loções corporais), a descrição predominante para essas fragrâncias é “sua pele, mas melhor”, o que significa seu papel em amplificar a assinatura olfativa natural de uma pessoa sem sobrecarregá-la. Intrinsecamente íntimos e discretos, eles são projetados para se fundir com a química corporal única de cada indivíduo, promovendo uma identidade olfativa distinta e pessoal.
Em meio ao boom do mercado e de tantos lançamentos, essas fragrâncias oferecem uma alternativa para aqueles que se sentem sobrecarregados por fragrâncias fortes e por vezes consideradas opressivas. Essa preferência por serenidade, pureza e autenticidade em um mundo saturado de estímulos, juntamente com a adesão ao minimalismo, ao “luxo silencioso” e a uma elegância discreta, indica uma crescente parcela de consumidores que prioriza a sutileza, a intimidade e o conforto pessoal em detrimento da projeção ostensiva. Construídas com notas de base e moléculas que se fundem com a sua química corporal (pH, hormônios, dieta), esses perfumes são íntimos e sutis (ficam perto do corpo) e têm como ingredientes-chave Almíscares (principalmente o branco), Iso E Super, Ambroxan, Sândalo cremoso e notas atalcadas de Orris (Íris).
4. Emoções engarrafadas
Sabe aquele cheiro que te transporta no tempo, que te acalma instantaneamente ou que te dá aquele boost de confiança? Pois é, a perfumaria sempre soube do poder invisível das fragrâncias – afinal, o olfato está diretamente ligado ao sistema límbico, a área cerebral responsável pelas emoções e memórias. Mas agora, a coisa ficou séria e ganhou suporte científico!
Estamos falando aqui de Perfumaria Emocional: fragrâncias estão sendo desenvolvidas como fórmulas de bem-estar, usando a tecnologia e a pesquisa para traduzir sentimentos em notas olfativas. Quer ver como isso está acontecendo nas prateleiras?
Com a Clinique temos o celebrado retorno da linha de fragrâncias “Happy”, feita para inspirar dias mais leves e otimistas. Um estudo neurossensorial independente comprovou: 97% das pessoas se sentem felizes ao sentir seu aroma. Notas revigorantes de toranja ruby red, tangerina e bergamota abrem o caminho para um coração de flores luminosas, como a flor de casamento havaiana, traduzindo aquele sentimento universal de bem-estar.
E por falar em felicidade engarrafada, a Mary Kay também mergulhou na ciência das emoções para criar um cheiro que é pura alegria: o Joy Emotion Scent™ Deo Parfum, que possui uma combinação olfativa desenvolvida intencionalmente para te fazer sentir mais alegre, otimista e entusiasmada, com notas como o Pêssego Orpur e o Óleo de Gerânio do Egito Orpur, estudadas para impactar positivamente o humor.
Já o Boticário foi mais longe: flores narcóticas! Com inspiração nas flores hipnóticas e provocantes (pense em cheiros densos, sensuais e inebriantes), a edição limitada Narcotic Flowers da linha de nicho Privée combinam a intensidade da beladona, da papoula e do tabaco ao exclusivo Acorde Euphoric Delight, desenvolvido com base neurocientífica para ser capaz de despertar ativamente a sensação de euforia! Instigante né?
O futuro do cheiro está no sentir
A perfumaria parou de ser apenas sobre como você cheira ou qual sua “fragrância assinatura”, e se tornou sobre como você quer se sentir ao usar um perfume. Assim como as roupas, muitas pessoas estão criando um “armário de fragrâncias” para escolher uma para cada determinada situação. E você, como quer se sentir hoje?
{Fotos: Dziana Hasanbekava e cottonbro studio/ Pexels}











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