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Clima seco: como garantir a hidratação e viver mais confortável?

20/08/25
Clima seco: como garantir a hidratação e viver mais confortável?

Durante o mês de setembro de 2024, a cidade de São Paulo liderou por alguns dias consecutivos o ranking de poluição com a pior qualidade de ar do mundo, segundo a plataforma suíça IQAir. A notícia, diretamente relacionada aos incêndios que assolaram o interior paulista, alarmou cientistas, pesquisadores, médicos e a população. Afinal, para além de sujar a atmosfera, contribuir para o aquecimento global, amplificar problemas como as ilhas de calor e causar chuvas ácidas, as queimadas ainda provocaram uma onda de clima seco severo por todo o território brasileiro.

Agora, no inverno de 2025, estamos novamente sofrendo com a baixa umidade do ar e os problemas que esta condição acarreta. Em condições ideais, o tempo seco acomete um país tropical como o Brasil no inverno e, geralmente, está associado ao aparecimento de problemas do sistema respiratório, como rinite e sinusite. Com a diminuição da umidade do ar, consequência do atual cenário, o corpo humano pode sofrer impactos negativos. Por isso, é importante tomar medidas para se proteger e manter a hidratação em dia em todas as frentes. 

Aqui, preparamos um guia sobre como viver melhor (ou pelo menos de maneira mais confortável) no clima seco. Papel e caneta na mão para anotar as dicas!

Cuidados gerais com a saúde

“Além do risco de queimadas, que libera uma fumaça prejudicial, o ar seco, por si só, pode provocar efeitos adversos na saúde”, alerta o médico pneumologista Ricardo Küster. Ele explica que pessoas que sofrem com problemas respiratórios, como asma, bronquite e alergias, podem ter seus sintomas agravados. O especialista ressalta que o ar seco também pode causar irritações nos olhos e aumentar a susceptibilidade a infecções como conjuntivites. Outra preocupação significativa é a perda excessiva de líquidos. “Além do desconforto e da intensificação de condições preexistentes, o ressecamento das mucosas aumenta o risco de infecções e agrava a circulação de vírus”, completa Ricardo. 

Para driblar os sintomas da baixa qualidade do ar e da seca, o médico orienta hidratação constante com água, sucos e chás; uso de lágrimas artificiais (os colírios lubrificantes) para aliviar a irritação ocular; umidificador de ambientes a fim de manter a umidade em níveis confortáveis (entre 40 a 60%) e aliviar o ressecamento das vias respiratórias; e soluções salinas nasais, como o soro fisiológico, nas narinas para mantê-las umedecidas e prevenir irritações.

O ar seco pode agravar problemas respiratórios, mas uma boa hidratação e cuidados específicos podem fazer toda a diferença.

Cuidados com a pele do corpo e rosto

A médica dermatologista Joana D’Arc Diniz explica que o tempo seco deixa a epiderme, a camada mais superficial da pele, desidratada, resultando em maior irritação e sensibilidade. Assim como o dr. Rodrigo, ela reforça a necessidade da hidratação via oral, especialmente com água. 

“Outro cuidado fundamental é o uso do filtro solar, pois os raios solares continuam atingindo a pele mesmo no clima seco, com sol ou tempo nublado. O ideal é aplicar diariamente com fator no mínimo 30, e apropriado ao seu tipo de pele”, acrescenta a especialista.

“Atenção à temperatura da água ao tomar banho, que deve ser morna, com sabonete neutro e sem o uso de buchas e esponjas, que removem a camada lipídica de proteção. Evite ainda passar muito tempo embaixo do chuveiro, pois isso pode provocar ainda mais ressecamento. Além disso, a hidratação da pele deve ser feita logo em seguida. Uma boa dica são os óleos de banho, que ajudam a diminuir a evaporação da água em excesso – mas não deixe de usar o hidratante logo após ou antes de dormir!”, orienta.

A dermatologista recomenda produtos com hidratação profunda, à base de ácido hialurônico, e formulações ricas em antioxidantes, vitaminas C, E e A, e ureia. “No entanto, se a pele estiver com um tom esbranquiçado e sensível, deve-se procurar ajuda médica. Somente o dermatologista pode fazer o diagnóstico correto e indicar produtos com concentrações maiores de componentes de hidratação nas formulações”, alerta Joana, que é diretora científica da Sociedade Brasileira de Medicina Estética.

No clima seco, a hidratação precisa ser redobrada: beba água, use filtro solar diariamente e escolha produtos que reforcem a barreira de proteção da pele e dos cabelos.

Cuidados com os cabelos e couro cabeludo

No clima seco, assim como a derme, o couro cabeludo também sofre diminuição da lubrificação natural e desidratação. “A aparência é de cabelos secos e frágeis. Portanto, é essencial o uso de produtos hidratantes, como máscaras capilares e finalizadores (leave in), visando manter a hidratação para evitar maiores danos”, explica a dermatologista.

O tempo seco pede proteção dos cabelos com chapéu ou gorro. E sabe aquela ventania de uma hora para outra? Os cabelos presos deixarão os fios menos ressecados”, afirma a dra. Joana. “Opte por finalizadores que contenham fator de proteção solar, principalmente para cabelos mais claros. Além disso, mantenha distância do secador nos fios. Ele deve ser usado apenas para eliminar o excesso de água e não se deve prender ou dormir com o cabelo molhado, pois isto pode causar descamação no couro cabeludo, quebra do fio, caspa e fungos. Use protetor térmico nos cabelos, antes do secador ou chapinha, além do finalizador”.

Como a alimentação pode ajudar?

Segundo a nutricionista Carolina Queiroga, quando a umidade do ar está baixa é importante priorizar alimentos ricos em águas e sais minerais. Quais são eles? Abobrinha, alface, brócolis, espinafre, melancia, abacaxi, morango, pepino e tomate são alguns exemplos. Oleaginosas na versão de nozes, castanhas, pistache e avelã também são alimentos com poder de hidratação e atuam na regeneração da pele. “Mas o consumo deve ser moderado”, avisa a profissional. 

“Peixes ricos em ômega 3, vitaminas e minerais, como o salmão, anchova, robalo e tainha, são excelentes pedidas para integrar a dieta e manter o corpo hidratado”, acrescenta Carolina. Especialista em Nutrição Clínica pela Universidade Federal do Rio de Janeiro, ela também chama a atenção para a ingestão suficiente de água. “Dois litros de água por dia é um valor generalizado. O mais correto é calcular 35ml de água por quilo de peso e adequar esta conta à atividade física que a pessoa pratica. Determinados exercícios podem potencializar a perda de água corporal”, explica. 

Por fim, ela alerta: “Devemos tomar cuidado com o consumo de bebidas alcoólicas, pois elas colaboram para a desidratação do corpo. Além disso, evitar a ingestão excessiva de sal também é importante para a saúde do organismo, assim como para a hidratação adequada”. 

{Foto: Ron Lach/ Pexels}

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