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Será que Meghan, a Duquesa de Sussex, está certa? Dançar ou rebolar pode realmente induzir o parto?

05/08/25
Será que Meghan, a Duquesa de Sussex, está certa? Dançar ou rebolar pode realmente induzir o parto?

O texto abaixo foi originalmente publicado no site The Conversation, que tem como objetivo disseminar o conhecimento acadêmico e científico de maneira acessível. Publicamos a tradução na íntegra do texto escrito pela autora, acadêmica e pesquisadora responsável pelo estudo – que com certeza vai interessar a você, leitora do Dia de Beauté!

 

Meghan, a Duquesa de Sussex, voltou a ser notícia esta semana* em um podcast onde falou sobre seu vídeo viral, “baby mama”. Gravado há quatro anos, quando ela deu à luz sua filha Lilibet, só foi divulgado recentemente. Ele mostra a duquesa no hospital, com a gravidez já avançada, dançando e rebolando para induzir o parto. Seu marido, o Príncipe Harry, também dança.

Ela escreveu no Instagram:

Nossos dois filhos passaram uma semana da data prevista […] então, quando comidas picantes, longas caminhadas e acupuntura não funcionaram, só havia uma coisa a fazer!

O vídeo segue a tendência de outras celebridades que compartilham vídeos semelhantes, em que dançam com a gravidez já avançada.

Então, a Duquesa de Sussex tem razão? Dançar pode realmente induzir o parto?

Primeiro: e dançar durante a gravidez?

O exercício é recomendado durante a gravidez e, embora alguns exercícios de alto impacto possam precisar ser moderados, eles apresentam risco mínimo para mulheres saudáveis e seus bebês. Na verdade, evidências mostram que a prática regular de exercícios durante a gravidez está associada a uma variedade de benefícios.

O exercício pode levar a um menor risco de diabetes gestacional, cesariana, uso de fórceps e vácuo durante o parto, problemas de saúde mental perinatal e uma recuperação pós-parto mais rápida.

Embora as grávidas possam optar mais por uma caminhada rápida, algumas voltas na piscina ou uma aula de ginástica em grupo, a dança também é uma ótima opção. O Colégio Americano de Obstetras e Ginecologistas listou a dança como uma das formas de exercício seguras e benéficas durante a gravidez.

Os movimentos da dança envolvem os quadris e a área pélvica (especialmente o twerking, ou rebolar), o que pode ajudar o bebê a entrar em uma posição mais ideal e tonificar o assoalho pélvico, embora as evidências para isso sejam limitadas.

Você pode escolher qualquer estilo de dança que goste, até mesmo a dança do ventre. Em um pequeno estudo qualitativo com duas grávidas, a dança do ventre foi considerada alegre e empoderadora, aumentando a sensação de bem-estar.

Você pode dançar em qualquer momento da gravidez, mas talvez precise adaptar seus movimentos conforme a gestação avança e a barriga cresce. Se você tiver fatores de risco como sangramento, é melhor ter cautela e conversar com seu médico sobre a prática de dança.

A música também pode desempenhar um papel importante na saúde mental, bem como na redução da dor, da pressão arterial e da frequência cardíaca. Portanto, a combinação de exercício com música, na forma de dança, pode ter benefícios adicionais.

Dançar durante a gravidez é seguro, benéfico e pode até melhorar seu bem-estar

E dançar para induzir o parto, ou durante o trabalho de parto?

Meghan não é a primeira mulher a relatar que dançou para induzir o parto, mas tudo isso é anedótico. Não há evidências científicas que comprovem que a dança seja uma forma eficaz de induzir o parto.

Há, no entanto, um pouco mais de evidências que sugerem benefícios quando o trabalho de parto já começou. Muitas mulheres buscam opções não farmacológicas (que não envolvam medicamentos) durante o parto. Especialmente no início do trabalho de parto, a dança pode diminuir a intensidade da dor e fazer com que as mulheres se sintam mais satisfeitas e no controle do processo.

Em um estudo, 60 mulheres foram divididas aleatoriamente em dois grupos: um que dançou durante o trabalho de parto e outro que não. O grupo que dançou teve pontuações de dor significativamente mais baixas e maior satisfação do que o grupo de controle.

E, novamente, a música pode reduzir os níveis de dor no início do trabalho de parto. Portanto, combinar música relaxante com algum movimento pode ser benéfico.

Dançar de acordo com o seu nível de conforto durante o trabalho de parto pode ser útil devido à combinação de movimentos pélvicos, o fato de ficar em pé, mover o corpo ritmicamente e mudar a posição do corpo com frequência.

As evidências mostram que ficar em pé e se mover durante o trabalho de parto é benéfico, pois permite que a pélvis se abra totalmente para a passagem do bebê e reduz a duração do parto.

Ficar em pé e se mover também pode ajudar a transferir parte da pressão da cabeça do bebê para o colo do útero, o que pode estimular a prostaglandina, uma substância química essencial para o progresso do trabalho de parto.

Foi sugerido que dançar durante o trabalho de parto pode ajudar o bebê a entrar em uma posição melhor para o nascimento, facilitando um parto mais tranquilo e rápido. Mas, em última análise, não temos evidências confiáveis para comprovar essas hipóteses.

Enquanto não houver contraindicações médicas, dançar na gravidez é seguro – e pode até ser prazeroso

Então, Meghan induziu o parto com a dança?

Não está claro se a dança ajudou a induzir o parto da duquesa, pois ela estava no hospital e pode ter sido submetida a uma indução médica ou cirúrgica posteriormente.

O parto pode ser induzido medicamente com hormônios, usando um cateter em forma de balão colocado no colo do útero para abri-lo, ou rompendo a bolsa de água ao redor do bebê.

Alternativamente, o parto de Meghan pode ter começado naturalmente sem que a dança tivesse desempenhado um papel, caso ela tivesse optado por esperar mais alguns dias. No entanto, a alegria em seu rosto e o apoio e conexão com seu marido, o Príncipe Harry, são uma ótima maneira de aumentar a ocitocina, um hormônio que estimula as contrações. Isso também pode ter ajudado.

Meghan pode ter estado no caminho certo, mas precisamos de mais pesquisas antes que possamos recomendar com confiança a dança para induzir o parto ou durante ele.

Enquanto isso, embora não haja evidências de que a dança seja eficaz para induzir o trabalho de parto, é altamente improvável que tenha qualquer desvantagem — e pode contribuir para uma experiência de parto mais positiva. Portanto, se você se sentir inspirada, eu diria para dançar à vontade.

The Conversation

Luciana Julião é jornalista e produtora audiovisual, graduada em Jornalismo pela PUC-Minas e em Direito pela UFMG. Mestre em Mídia e Movimentos Sociais pela University of Illinois at Chicago (UIC) e em Documentário Criativo pela Universitat Autónoma de Barcelona (UAB). Especialista em Comunicação Pública da Ciência pela UFMG. Trabalhou em diversos veículos de imprensa e hoje é diretora da videoprodutora Tao – Ideias em Movimento e servidora do Centro de Comunicação da UFMG.

*O texto original foi publicado no dia 19 de junho de 2025.

{Foto: Max Mumby/Indigo/Getty Images}

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