Guia completo sobre queda de cabelo, parte 2: causas e tratamentos

Se você acompanhou nosso primeiro guia sobre queda de cabelo, já sabe que identificamos quando a perda de fios é um sinal para buscar ajuda de um dermatologista. Agora, vamos dar um passo adiante e explorar os detalhes das principais causas da queda de cabelo e como cada uma delas pode ser tratada. De fatores genéticos a mudanças hormonais e até mesmo efeito colateral do Covid, é fundamental entender as origens dessa preocupação para encontrar a melhor solução. Vamos mergulhar nas causas mais comuns e nas opções de tratamento que podem ajudar a restaurar a saúde dos seus cabelos!
Genética (Alopecia Androgenética)
A famosa calvície, formalmente chamada de alopecia androgenética, é uma condição caracterizada pela perda de cabelo no couro cabeludo, que pode variar de um afinamento discreto do fio até a ausência total de cabelo. De acordo com a dermatologista Beatriz Toledo (@dra.beatriztoledo), essa condição não está necessariamente ligada a uma queda de cabelo acentuada, mas a um encurtamento da fase de crescimento dos fios.
O minoxidil é o medicamento frequentemente prescrito para casos de alopecia androgenética. “A substância age no couro cabeludo prolongando a fase ativa do folículo capilar, gerando um aumento na contagem e na espessura dos fios e prolongando a fase de crescimento”, afirma Beatriz.
Apesar de bastante disseminado, a médica alerta que o minoxidil é um remédio e não deve ser usado indiscriminadamente sem orientação.
Alterações hormonais e deficiências nutricionais
A saúde do cabelo está completamente relacionada ao estado nutricional e hormonal. Por isso, condições como gravidez, menopausa ou problemas na tireoide, assim como falta de nutrientes essenciais (ferro, zinco, proteínas e vitaminas, especialmente vitamina D e biotina) podem levar à queda excessiva de cabelo.
Beatriz esclarece que isso se dá porque tecidos com alta atividade metabólica, como é o caso do folículo piloso (responsável pela produção e crescimento do pelo), dependem de boa disponibilidade de aminoácidos, minerais e vitaminas para se manterem saudáveis.
Tanto a falta de nutrientes quanto às alterações hormonais podem ser constatadas por exames de sangue e anamnese feita pelo médico. O tratamento pode incluir reposição nutricional e hormonal, medicamentos e a adoção de hábitos mais saudáveis.
Os efeitos da alteração hormonal que ocorre no parto não são imediatos. Eles se manifestam entre 3 a 6 meses depois.
Estresse
Tanto o estresse físico (como pós-cirurgia, início de tratamento, acidentes e pós-parto) quanto o estresse emocional (como depressão, ansiedade, problemas financeiros e luto) podem causar uma queda temporária de cabelo.
A dermatologista Patrícia Fagundes conta que é muito comum receber pacientes relatando a perda excessiva de fios alguns meses após o parto devido à sobrecarga física.
“No dia do parto, os níveis hormonais sofrem uma grande alteração. As células do cabelo, que se replicam muito rapidamente, são particularmente sensíveis a essas mudanças abruptas. No entanto, os efeitos dessa alteração hormonal não são imediatos. Eles se manifestam após um período fisiológico, que corresponde ao ciclo natural do cabelo, geralmente entre 3 a 6 meses após o parto”, diz.
O tratamento é multidisciplinar e envolve cuidados psicológicos e para o cabelo. Segundo a dermatologista e especialista em medicina capilar Ana Carina Junqueira (@draanajunqueira), ele geralmente inclui medicações locais e sistêmicas, além de medidas comportamentais. Geralmente o arsenal terapêutico inclui xampus à base de medicamentos, tônicos ou loções, vitaminas, aminoácidos e até antioxidantes orais.
Pós-Covid
A doença pode, em alguns casos, causar queda de cabelo após episódios de febre, que começa algumas semanas após a resolução da infecção e dura por volta de 3 a 6 meses. Ana Carina explica que o Covid provoca uma inflamação intensa na raiz do couro cabeludo e está associada a receptores hormonais, por isso afetando mais os pacientes com calvície.
Mas, de acordo com a médica, esse quadro é geralmente temporário e reversível. Com o tempo, à medida que o corpo se recupera e retorna ao equilíbrio, a saúde do cabelo tende a melhorar.

Estações frias
Embora não haja comprovação científica sobre o aumento da queda de cabelo no outono e inverno, há uma alta procura de pacientes nessa época. Segundo o dermatologista João Gabriel Nunes, fundador do Centro Médico Capilar (@drjoaogabrielnunes), uma possível causa pode ser a menor incidência de luz solar, essencial para a produção de melatonina e estímulo ao crescimento dos fios.
Outro fator que pode interferir são banhos muito quentes, comuns nos dias frios, que podem estimular a produção excessiva de óleo pelas glândulas sebáceas e causar problemas no couro cabeludo, como a seborreia. João recomenda lavar os cabelos com água morna para mantê-los saudáveis e causar menos queda.
Nesses casos, de acordo com o médico, não é preciso se preocupar, pois a queda capilar tende a ser temporária. “No entanto, se notar um afinamento, perda de volume e o couro cabeludo mais visível, é um sinal de alerta”, diz.
O que fazer quando o cabelo começa a crescer onde não quero?
Antes de tratar o crescimento de pelos indesejados, é fundamental entender a causa do problema, afirma Patrícia. “Por exemplo, se o paciente estiver usando hormônios, pode continuar surgindo pelos em outras áreas do corpo. Primeiro, investigamos a causa e, quando possível, removemos o fator desencadeante. Em casos de síndrome dos ovários policísticos, por exemplo, além do tratamento dermatológico, é importante que o paciente consulte um ginecologista para tratar a condição subjacente. Caso contrário, os pelos continuarão a aparecer”, explica.
Para esses casos, podem ser realizados tratamentos locais, como cremes depilatórios, substâncias que reduzem a velocidade de crescimento dos pelos, métodos para estimular a queda desses fios e o uso de laser.
Na próxima matéria dessa trilogia sobre queda capilar, você irá conhecer o que os salões e spas capilares têm de mais inovador para tratar a queda de cabelo e quais as tecnologias e os ativos atuais usados nos produtos de cuidados em casa.
{Fotos: Alina Nichepurenko e Element5 Digital/ Unsplash e Yan Krukau/ Pexels}




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