O que é o clean beauty?

23/09/21

Você já deve ter sido impactada por discursos de marcas falando de clean beauty, mas a verdade é que até hoje não existe formalmente nenhum selo ou regulação governamental que diga quais marcas são ou não “limpas”, nem o que elas precisam ter para serem classificadas assim. O que existe são marcas que, cada uma a seu modo, seguem preceitos relacionados ao que o próprio mercado convencionou ser clean

E quais são afinal esses preceitos? Vamos lá: existe um consenso na indústria de beleza de que clean beauty se refere a um setor composto por marcas cujos produtos não prejudicam nem a pele nem o planeta (meio ambiente e animais). São cosméticos ou maquiagens que levam em conta ingredientes naturais e podem até incorporar matérias-primas sintéticas, desde que sejam consideradas seguras para quem usa e para o ambiente. Ou seja: limpo (clean), não significa necessariamente livre de ativos químicos – essas seriam as marcas que se dizem naturais. O natural pode ser limpo, mas limpo nem sempre é natural, é simplesmente isento de certos ingredientes artificiais, como parabenos ou formaldeídos. 

Os produtos da Simple Organic, por exemplo, são 95% naturais (os outros 5% são o que a marca chama de “análogos ao natural”, ingredientes sintéticos que se parecem com os naturais). Já o portfólio da Care Natural Beauty, outra jovem marca brasileira do segmento, oscila entre itens com 80% e 100% de ativos naturais, segundo a empresa. Dentro do segmento de clean beauty, a maior preocupação das marcas é, principalmente, excluir ingredientes que sejam em alguma escala prejudiciais para a saúde. 

E é aí que a questão começa a ficar (ainda!) mais complicada: consumidores, marcas e redes de loja nem sempre concordam sobre quais ingredientes são problemáticos. Colabora muito para o mercado de clean beauty as recentes determinações de alguns países para banir ingredientes que hoje são sabidamente tóxicos. No Brasil, em agosto de 2021 a Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) atualizou sua lista de ingredientes proibidos em perfumes e cosméticos, somando 1.404 itens. Segundo o órgão, “​​esses ingredientes são utilizados principalmente como conservantes em muitos produtos de uso diário como sabonetes e xampus”. 

O natural pode ser limpo, mas limpo nem sempre é natural, é simplesmente isento de certos ingredientes artificiais, como parabenos ou formaldeídos.

O texto publicado pela Anvisa ajuda a explicar qual seria, então, o problema dos produtos “não clean”: “estudos apontam que o uso contínuo desses ingredientes pode ocasionar efeitos no sistema endócrino, sensibilização cutânea ou pode ser tóxico para a reprodução”. Já a União Europeia tem uma lista de 1.300 ingredientes banidos, muitos dos quais também estão na lista da Anvisa. Curiosamente, o país com regulamentação menos rígida para isso é os Estados Unidos (que lista só 11 ingredientes banidos pelo órgão local), e por isso muitas marcas tomaram as rédeas da situação, criando seus próprios padrões. 

Porém, por faltar um órgão que ateste que uma marca seja ou não clean, o mercado se vira como pode para contar aos consumidores sobre sua “limpeza”, desde destacar no rótulo os ingredientes naturais da formulação, até se organizar para conseguir selos que atestam seus esforços sobre matérias-primas amigáveis, uso de orgânicos, fórmulas veganas, cadeia de produção sustentável ou o não-teste em animais (cruelty free). 

Os selos são muito importantes para que o consumidor tenha certeza, a partir de uma terceira parte idônea, do que está comprando. O Dia de Beauté já decifrou os selos e certificados que costumamos ver nos produtos desse segmento nesse post, e eles podem ser um ótimo guia para quem quer mergulhar nesse universo.

E para quem quiser consumir mais conteúdos sobre beleza limpa, a Marcela do @anaturalissima tem um perfil focado no assunto e ela já até fez um vídeo exclusivo para o Instagram do DDB, veja aqui.

{Fotos: Anna Efetova/ Getty Images e Aleksandar Pasaric/ Pexels}

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