Quem é quem no seu nécessaire: conheça os grandes grupos que dominam as marcas de beleza

19/08/21

Ao abrir seu nécessaire, ou dar uma volta aqui pelo Dia de Beauté, fica fácil perceber que é enorme a quantidade de marcas de beleza que estão à nossa disposição no Brasil – e no mundo –, e chegam fácil até você. O que nem todo mundo sabe é que, apesar de serem muitas, seus donos são poucos (e gigantes!). 

Sete conglomerados tomam conta de cerca de 182 marcas de beleza no mundo. Unidas, elas somam lucros importantes para seus controladores – o mercado de beleza é um dos mais interessantes para investidores, em especial no Brasil. No ano passado, 2020, quando a pandemia de COVID-19 fez o mercado global de beleza registrar queda de 1% nas vendas, por aqui o resultado foi positivo. O Brasil cresceu 4,7% em 2020, atingindo o volume de R$ 122,408 bilhões em vendas de produtos de beleza, segundo a Euromonitor International.

Ao longo de sua história no mercado de beleza, L’Oréal e Estée Lauder eram marcas “normais” que foram ganhando fôlego, amplitude de canais de venda e alto faturamento, e assim foram também adquirindo estrategicamente marcas pequenas e promissoras – garantindo sua própria receita no longo prazo e assegurando sua sobrevivência. Em poucas palavras, é assim que se formam os grandes grupos de beleza.

Para que você conheça melhor alguns desses grupos que agitam o mercado, a seguir contamos a história e fazemos um raio-x da atuação dos mais fortes do mundo e também do mercado brasileiro.

ESTÉE LAUDER COMPANIES: família americana no comando de marcas de prestígio

Ano de fundação: 1946

País de origem: Estados Unidos

Marcas: 27. Estée Lauder, Aramis, Clinique, Lab Series, Origins, MAC, Bobbi Brown, La Mer, Aveda, Jo Malone, Bumble & Bumble, Darphin, Tom Ford Beauty, Smashbox, Aerin, Le Labo, Edition des Parfums Frédéric Malle, GlamGlow, Kilian, Becca, Too Faced, Dr. Jart+, e os licenciamentos de Tommy Hilfiger, Donna Karan New York, DKNY, Michael Kors e Ermenegildo Zegna

Países: 150+

Faturamento líquido: US$ 14,29 bilhões (2020)

Número de funcionários: 48.000 +

A Estée Lauder Companies é um grupo americano detentor de 25 marcas de luxo de beleza, entre maquiagem, skincare, perfumes e cuidados para cabelos. Sua história começa em 1946 com o lançamento da própria marca Estée Lauder, a partir da união de um casal que decide ser par também nos negócios: Estée, responsável pelos produtos, e Joseph Lauder, seu marido, cuidando da estrutura financeira e de operações da empresa. 

O coração do grupo, que determinou o caminho que a corporação segue até os dias de hoje, está intimamente ligado à criadora que dá nome à empresa. Estée era expert em química e em produtos de beleza, tinha família de comerciantes (por isso o olho tão afiado para vendas e marketing!), e uma mãe super vaidosa, atenta à saúde da pele. Tudo isso em Nova York, que nos anos 1960 viu uma legião de mulheres entrando no mercado de trabalho com mais conhecimento e demandando, portanto, produtos mais práticos e tecnológicos.

Inicialmente, o catálogo contava com quatro produtos para a pele (um óleo de limpeza, uma loção nutritiva e o creme “Super-Rich All Purpose”) e uma linha de maquiagem com pó de arroz, sombra e batom – com embalagens num tom de azul particular, que ficou conhecido como “Azul Lauder” e tornou-se um dos símbolos mais fortes da marca. Em 1968, a família Lauder decidiu que uma concorrente da Estée Lauder deveria ser criada dentro de casa e lançou a Clinique. Com apelo totalmente diferente da marca-mãe, ela nasce orientada por dermatologistas e 100% focada em produtos sem fragrância e testados contra alergia – sem apelos ao lifestyle e sem mulheres como garotas-propaganda.

Em 1990, a empresa já enviava produtos para vários países e registrava volume anual de vendas de mais de US$ 1 bilhão, e Estée já era citada pelo Wall Street Journal como uma das executivas mais influentes do seu tempo. A partir daí, a Estée Lauder começa a fazer uma série de aquisições de marcas e também acordos de licenciamento, que contribuem para o crescimento explosivo à medida que se transforma de uma empresa familiar em uma organização de capital aberto (mas ainda sob controle da família, como é até hoje). 

Nesse período, é criado um departamento de licenciamentos e a Estée Lauder assina contrato com a Tommy Hilfiger e com a DKNY para distribuição global de seus perfumes. Ainda nos anos 1990, chegam ao portfólio a Origins (focada em wellness, combinando ingredientes naturais e orgânicos) e a canadense MAC Cosmetics. Em 1995, a família Lauder comemora a abertura de capital na Bolsa de Valores de Nova York. A partir daí, cresce o processo de aquisição de marcas e neste mesmo ano chegam Bobbi Brown, La Mer, Aveda e Jo Malone. Nos anos 2000 vieram Bumble & Bumble, o laboratório francês Darphin e o licenciamento de Michael Kors e Tom Ford.

O compromisso familiar da Estée Lauder Companies continua se renovando, e a segunda e terceira geração da família segue hoje na alta cúpula da administração: Leonard Lauder, filho de Estée, é chairman emérito, seu filho William Lauder é Executive Chairman e Chairman do board de diretores, Ronald Lauder, filho mais novo de Estée, é Chairman da Clinique, e suas duas filhas, Jane e Aerin, compõem o board executivo. Aerin, aliás, segue os caminhos de sua avó, e lançou a própria marca de maquiagem, perfumaria e produtos para o corpo e para a casa, da qual também é o rosto.

L’ORÉAL: beleza como uma aventura científica

Marcas: 36 (L’Oréal Paris, Garnier, Niely, Colorama, Essie, Maybelline, Nyx, Stylenanda, Dark and Lovely, Mixa, MG, SkinCeuticals, La Roche-Posay, Vichy, CeraVe, L’Oréal Professionnel, Kérastase, Redken, Lancôme, Kiehl’s, Armani, YSL, Biotherm, Helena Rubinstein, Urban Decay, Ralph Lauren, Mugler, Viktor & Rolf, Valentino, Azzaro, Diesel, Prada e Atelier Cologne, Shu Uemura, It Cosmetics e Instituto L’Oréal)

País de origem: França

Países: 150+

Funcionários: aproximadamente 88 mil

Faturamento (em 2020 a empresa não divulgou o valor líquido): 27,99 bilhões de Euros

Em 1909, Eugène Schueller, um jovem químico com espírito empreendedor, fundou a empresa que se tornaria o Grupo L’Oréal. Tudo começou com uma das primeiras tinturas de cabelo que ele formulou, fabricou e vendeu para cabeleireiros parisienses. Com isso, o criador do que hoje é uma das maiores companhias de beleza do mundo forjou o primeiro elo do que ainda é o DNA da L’Oréal: pesquisa e inovação.

O nome L’Oréal acompanha Eugène Schueller desde esse início. Sua primeira coloração de cabelo foi chamada de ‘L’Auréale’ – provavelmente uma referência a “l’auréole”, um penteado da moda no início do século XX. Mas também era uma referência ao dourado e aos tons quentes que as mulheres queriam dar aos cabelos com colorações. Apaixonado por publicidade e slogans, que se tornariam uma marca registrada da empresa e ajudariam a construir sua reputação global, Eugène Schueller decidiu simplificar o nome de seu produto trocando seus sons e sílabas: L’Auréale logo se tornou Oréal, e depois, em 1939, L’Oréal.

A L’Oréal saiu da França cedo, antes mesmo de ter esse nome consolidado. Nos anos 1910, já exportava produtos pela Europa, e na década seguinte chegava aos Estados Unidos e América do Sul – nessa época, a empresa já havia conquistado de atrizes hollywoodianas a moderninhas brasileiras com seu pó descolorante, que em 1930 fez sucesso no famoso loiro platinado de atrizes como Jean Harlow.

Na década de 1950, a L’Oréal investiu muito na formação da equipe e formou um grande time de químicos para o desenvolvimento de pesquisas de novos produtos não só na área de cabelos, mas também dermatologia e cosmética. A partir daí vieram produtos inovadores e que se tornaram icônicos, como o spray fixador Elnett, que agitou um mercado que era dominado por goma e brilhantina.

O industrial François Dalle foi uma figura importante no desenvolvimento da L’Oréal como grupo. Sob sua gestão, nos anos 1960, a corporação adquiriu diversas marcas importantes, como a Mixa, a Lancôme, a Garnier e a Biotherm. O início dessas aquisições – que continuaram ao longo dos anos até os dias de hoje! – tiveram a importância de permitir à companhia de se desenvolver em outros países e tornar-se um gigante global. Hoje são 35 marcas, além do Instituto L’Óreal, importante célula de formação de profissionais, que tem uma sede no Rio de Janeiro.

GRUPO SHISEIDO: expert no mercado oriental

Ano de fundação: 1872

País de origem: Japão

Marcas: 31 (BareMinerals, Benefique, Clé de Peau Beauté, Dolce&Gabbana, Drunk Elephant, IPSA, Issey Miyake, Laura Mercier, Nars, Narciso Rodriguez, Serge Lutens, Shiseido, Tory Burch, Anessa, Aqua Label, Aupres, D Program, Elixir, Gracy, Haku, Integrate, Majolica Majorca, MAQuillAGE, Prior, Pure&Mild, Revital, Urara, Za, Shiseido Professional, The Collagen, Perfect Cover)

Países: 120+

Funcionários: aproximadamente. 46.000

VENDAS LÍQUIDAS: ¥920.9 bilhões (por ser um grupo japonês, o balanço é reportado em ienes), cerca de USD 8,6 bilhões em 2020

A história do grupo Shiseido começa como uma farmácia modernosa, aberta em 1872, em Tóquio, por Arinobu Fukuhara, um ex-farmacêutico da marinha japonesa. Numa época em que predominava a medicina à base de ervas, ele resolveu abrir uma farmácia baseada na medicina ocidental, em Ginza, centro da moda e da cultura do Japão. Por 20 anos, a Shiseido Pharmacy, que era também um laboratório de pesquisa e inovação do fundador, lançou produtos bastante inovadores para a época, como uma pasta de dente com flúor. O interesse pelos cosméticos começou só em 1897, quando foi lançado o Eudermine, hidratante facial para o rosto que existe até hoje.

Fukuhara se interessava em criar produtos que ainda não existiam no mercado. Em 1917, quando os antigos pós de arroz não tinham cor, ele decidiu criar pós de sete cores, que se adequassem a diferentes tons de pele e de roupa. Outra inovação da Shiseido foi na criação de perfumes. Até a década de 1910, os perfumes no Japão eram importados principalmente de Paris. O então presidente da empresa, Shinzo Fukuhara, criou perfumes que usavam aromas de flores japonesas, como camélia, ameixa e glicínias. “Hanatsubaki”, lançado em 1917, foi, segundo a empresa, o primeiro perfume autêntico de fabricação japonesa.

As expansões da Shiseido tiveram início em 1923, quando começou a formar sua rede de distribuição pelo Japão, chegando rapidamente a 2 mil pontos de venda. O primeiro investimento internacional foi no Havaí, onde chegou em 1962, um ano antes do aporte na Europa, começando pela Itália. Em 1965, foi a vez de entrar no resto dos Estados Unidos. 

Os anos seguintes foram definidos por três movimentos paralelos: expansão para outros países, criação de novas marcas próprias no Japão (como a Ipsa, de skincare e maquiagem, nascida em 1986) e aquisição de outras empresas fora do país de origem (como foi o caso da francesa Carita, focada em produtos profissionais para cabelo, vendida para a L’Oréal em 2014). As marcas da empresa que são vendidas no Brasil vieram só recentemente: a Nars chegou ao portfólio da Shiseido em 2000 e a Laura Mercier só em 2016. 

Apesar de sua grande presença global, o grupo Shiseido tem a maior parte das suas vendas ainda concentradas em seu continente de origem – menos de 10% são feitas nas Américas. O Japão responde por 32,9% do faturamento, a China por 25,6% e outros países da região e do Pacífico alcançam a fatia de 6,4%. Ou seja: quase 65% se concentram no Oriente, o que faz dos seus esforços de lançamento ainda bastante orientados para lá. 

UNILEVER: área de beleza e cuidados dá o tom do sucesso da gigante global 

ANO DE FUNDAÇÃO: 1872

País de origem: Holanda

Marcas: 400 no total (principais de beleza e cuidados pessoais: AHC, Axe/Lynx, Clear, Dollar Shave Club, Dove, Dove Men+Care, Lifebuoy, Love Beauty and Planet, Lux, Nexxus, Pond’s, Rexona/Sure/Degree, Schmidt’s Naturals, Shea Moisture, Simple, Skinsei, St. Ives, Suave, Sunsilk/Seda/Sedal, TIGI, TRESemmé, Vaseline, The Right to Shower, Dermalogica, Garancia, Hourglass, Kate Somerville, Living Proof, Murad, Ren Clean Skincare, Tatcha, Paula’s Choice)

Países: 190+

Funcionários: aproximadamente 149.000

Faturamento: €51 bilhões no total – €21.1 bilhões só o setor de beleza e cuidados pessoais

Diferente de quase toda essa lista, Unilever dá nome a um grupo, mas não é o nome de uma marca específica. Outra diferença dos concorrentes próximos é o fato de não ter a sua história iniciada na beleza – a Unilever começou na Holanda, em 1872, como Lever&Co., uma fábrica de margarina. A ala de cuidados pessoais foi criada mais de 20 anos depois, em 1894, com o lançamento do sabão Lifebuoy – quando a companhia se chamava Lever Brothers.

O nome Unilever veio em 1929, quando Margarine Unie se junta à Lever Brothers. Os investimentos em beleza e cuidados pessoais do grupo passaram a crescer a partir do final dos anos 1940, com a realidade pós-guerra na Europa, que deu origem a um boom de consumo, principalmente graças à criação da Comunidade Europeia. Em 1954, por exemplo, o shampoo Sunsilk, lançado no Reino Unido, se tornou a marca líder de xampu e até 1959 chegou a 18 países em todo o mundo. 

Para a divisão de beleza, 2010 foi uma década de ouro: nesse período, a Unilever adquiriu a TRESemmé, a Alberto VO5, a Nexxus, a St Ives e a Simple. Hoje, é a área mais importante nos negócios do grupo. Segundo um balanço divulgado pela empresa, sobre o primeiro semestre de 2021, produtos de beleza e cuidados pessoais responderam pela maior parte da receita, alcançando 10,4 bilhões de euros.

Segundo a Unilever, vivemos o momento da “nova era da beleza inclusiva, imparcial e sustentável”. A previsão é que nenhum dos produtos do portfólio de beleza e cuidados pessoais utilize a palavra “normal”, seja nos frascos, embalagens ou publicidade, até 2022.

PROCTER & GAMBLE: gigante americana líder de beleza no varejo

Ano de fundação: 1837

País de origem: Estados Unidos

Marcas: 300 (principais de produtos para pele, cabelos e cuidados pessoais: Olay, Old Spice, Safeguard, Secret, SK-II, First Aid Beauty, Snowberry, Head & Shoulders, Herbal Essences, Pantene, Rejoice, Aussie, Hair Food, VS e Walker Co.)

Países: 140+

Funcionários: 138.000

Faturamento líquido: US$ 71 bilhões (beleza é responsável por 19% do total, cerca de US$ 14 bilhões)

A Procter & Gamble (P&G) é um grupo americano gigantesco, de cerca de 300 marcas, muitas delas líderes de mercado nos Estados Unidos e globalmente. Estão no topo, por exemplo, com cuidados cuidados para cabelos no segmento de varejo, ocupando cerca de 20% do total vendido em lojas, supermercados em farmácias, com duas marcas: Pantene e Head & Shoulders. 

E é no segmento de cuidados pessoais que começa a história desse grupo. No final da década de 1830, os cunhados William Procter e James Gamble começaram uma empresa para fabricar suas especialidades, velas e sabão. Sobre essas, um fato curioso: na época, era comum que famílias usassem dois tipos de sabão, um para roupas e outro para o corpo. A sacada de Gamble foi criar uma barra que serviria para os dois propósitos, a Ivory. O produto foi um sucesso no país todo e virou um ícone da P&G. 

Sabonetes foram o grande filão de mercado da grupo até o começo dos anos 1900. Nesse período, passam a abrir fábricas fora de Cincinnati, seu local de origem, e começam também expansões para outras categorias, como sabão em pó, xampu, creme dental e tantos outros. A P&G acompanhou a expansão do rádio nos EUA, e com inserções em radionovelas, tornou-se muito conhecida e popular entre donas de casa. A proximidade dos consumidores se revela ainda maior quando, nos anos 1940, a empresa começa uma prática ainda nova entre as empresas, a de estabelecer um canal de contato e resolução de dúvidas de clientes.

Os planos de globalização se concretizam mais adiante, no final dos anos 1980, quando amplia sua presença na categoria de cosméticos com aquisições de empresas como Noxell, Cover Girl, Old Spice e Max Factor – essa (que hoje pertence à Coty), em especial, foi uma das que ajudou a P&G a expandir para outros mercados. Em 1988, chegou à China e, em 1992, à Hungria, Polônia e Rússia. De acordo com a imprensa da época, em 2000 a empresa já tinha 10 marcas com vendas superiores a US$ 1 bilhão ao ano. Em 2005, aumentou seus poderes com a compra da Gilette por US$ 57 bilhões – uma transação enorme, que incluía não só os aparelhos de barbear, mas também marcas como Oral-B e pilhas Duracell.

No Brasil, as marcas e produtos P&G se desdobram em portfólios bastante variados e atendem a consumidores de todo o país, e de todas as classes sociais. Além disso, o grupo já incorporou vários produtos locais, como as tradicionalíssimas pomadas Hipoglós e o perfume Seiva de Alfazema.

COTY: líder global em perfumaria 

Ano de fundação: 1904

País de origem: França

Marcas: 77

(Perfumes: Calvin Klein, Hugo Boss, Marc Jacobs, Chloé, Balenciaga, Bottega Veneta, Alexander McQueen, Davidoff, Miu Miu, Lacoste, Tiffany & Co., Joop!, Jil Sander, Roberto Cavalli, Escada, 007 James Bond, Bruno Banani, Katy Perry, David Beckham, Mexx e Nautica

Perfumes e skin care: Philosophy

Skincare: Kylie Skin e Lancaster;

Perfumes e cosméticos coloridos: Gucci e Burberry;

Cosméticos coloridos: Cover Girl, Rimmel London, Max Factor, Bourjois, Manhattan;

Tintura de cabelo de varejo: Biocolor;

Produtos para unhas: Sally Hansen e Risqué; body care: Adidas, Cenoura & Bronze, Paixão, Bozzano e Monange)

Países: 150+

Funcionários: 20.000+

Faturamento: US$ 4,2 bilhões

A Coty, líder global em fragrâncias, tem na sua raiz a perfumaria. Começa com o fundador que deu o nome à empresa, François Coty, mas ao longo de mais de 100 anos de história, teve a participação de outros personagens importantes, que facilmente conseguimos relacionar às marcas que fazem parte dessa trajetória: Eugène Rimmel, Max Factor, Sally Hansen e Alexandre-Napoléon Bourjois. Pois é, as marcas Rimmel, Max Factor, Sally Hansen e Bourjois são algumas das que hoje fazem parte deste grupo, que tem como principais mercados Estados Unidos, Alemanha e Reino Unido.  

A trajetória da empresa começa em 1904, quando François Coty criou o perfume La Rose Jacqueminot, que foi um sucesso em Paris. O foco era aliar ao perfume um senso de elegância e entusiasmo, que o fundador conseguiu com estratégias de marketing criativas e embalagens sofisticadas. 

“Dê a uma mulher o melhor produto que você pode fazer, apresente-o em um frasco perfeito de linda simplicidade e gosto impecável, peça um preço razoável e você verá nascer um negócio de um tamanho que o mundo nunca viu”, disse Coty. E parece que deu certo. A empresa, aos poucos, foi crescendo até chegar na liderança global de perfumaria, por entender e explorar rapidamente o potencial de mercado ao produzir perfumes em grande escala e ao menor custo possível.

Em 2005, comprou a divisão de perfumes da Unilever e se tornou a maior empresa do mundo nesse segmento. Com essa aquisição, fragrâncias de grifes famosas como Calvin Klein, Cerruti, Vera Wang, Chloé e Lagerfeld passaram a fazer parte do portfólio da empresa. A partir de 2010, a Coty aumenta a sua presença no setor de cosméticos de coloração de cabelos e produtos de cuidados para pele e corpo com aquisições de importantes marcas como Philosophy e OPI.

De acordo com o último relatório fiscal da empresa, o foco de 2021 é impulsionar suas linhas de luxo de cuidados com a pele, fragrâncias e cosméticos com apoio da Gucci e da Burberry, além de reposicionar e rejuvenescer a CoverGirl, a Rimmel e a Max Factor com novas campanhas de marketing e ênfase na sustentabilidade. 

NATURA&CO: gigante brasileira e global no porta-a-porta 

Ano de fundação: 1969

Marcas: Avon, Natura, Aesop e The Body Shop

Países: 110+

Funcionários: 35.000 (e ainda 8 milhões de consultores e representantes)

Receita líquida: R$ 36,9 bilhões

Em janeiro de 2020, um movimento importante da Natura colocou o Brasil no cenário global dos maiores conglomerados do setor de beleza. Ao finalizar a aquisição da Avon, a Natura&Co passou a ser controladora das marcas Avon, Natura, The Body Shop e Aesop, que juntas atendem cerca de 200 milhões de consumidoras no mundo todo. Naquele momento, a imprensa chegou a chamar o movimento de uma espécie de “Ambev da beleza” – a Ambev, em 1999, uniu Antarctica e Brahma, tornando- se a rainha do setor de bebidas no Brasil.

A Natura começou em 1969, fundada por Luiz Seabra e Jean-Pierre Berjeaut, na época como uma loja na rua Oscar Freire. Em meados dos anos 1970, resolveram fechar a loja e apostar na venda direta, aquela das consultoras com suas revistinhas de produtos, mercado no qual a Avon já nadava de braçada.  

Antes da aquisição de sua concorrente Avon, um dos movimentos mais importantes da Natura foi a oferta de ações na Bolsa (hoje B3) em 2004. Foi um momento de ampliação do foco em práticas, à época diferenciadas, de governança corporativa: a construção de uma marca muito ligada à biodiversidade (antecipando uma grande tendência) e do engajamento com o público a partir de causas relevantes. 

Em 2000, a Natura lançou uma de suas linhas mais importantes, a Ekos, que incorpora ingredientes da biodiversidade brasileira à formulação de seus produtos. Em 2006, baniu os testes de produtos e de ingredientes em animais e, no ano seguinte, criou o Programa Carbono Neutro, com metas de redução das emissões de gases de efeito estufa em toda a cadeia produtiva.

A expansão de portfólio veio em 2017, com a compra da britânica The Body Shop, e seguiu em 2018, quando, após a compra da Aesop, foi consolidado o grupo Natura&Co. Dois anos depois, com a aquisição da Avon, tornou-se a maior companhia de vendas diretas do mundo e a terceira maior vendedora de fragrâncias. Para os próximos anos, segundo relatório recente, a expansão global está na mira, com foco especial no potencial de crescimento nos países da América Latina.

BOTICÁRIO: raiz no varejo brasileiro de beleza 

Ano de fundação: 1977

Marcas: O Boticário; Eudora; Quem Disse, Berenice?; Eume, BeautyBox, Vult, Beleza na Web e MultiB (braço que cuida das marcas licenciadas Australian Gold, Bio-Oil, Revlon, Lee Stafford e Nuxe Paris)

Países: 15

Funcionários: 13 mil colaboradores diretos + 40 mil nas redes de franquias

Faturamento: R$ 13,2 bilhões (em 2018)

No vocabulário farmacêutico, uma botica era uma caixa de madeira onde antigamente se transportavam remédios para levar às casas dos pacientes atendidos. Foi nesse universo mágico da manipulação de produtos que começou a história de O Boticário – e é daí que vem seu nome. Em 1977, com investimento equivalente a cerca de US$ 3 mil, o farmacêutico Miguel Krigsner instalou sua farmácia de manipulação numa portinha de uma pequena rua de Curitiba.

Ali nasceu a paixão por cosméticos de Dr. Miguel – como até hoje o fundador é chamado pelos colaboradores da empresa. Suas primeiras criações foram um creme à base de colágeno, um de elastina para estrias, um xampu e um banho de algas marinhas. Logo veio o primeiro perfume, vendido num frasco em formato de ânfora, que é até hoje o grande símbolo dos perfumes de O Boticário.

O varejo é fundamental dentro da história da empresa. Em 1979, O Boticário abriu uma loja dentro do Aeroporto Afonso Pena, em Curitiba. Foi a primeira experiência de varejo de beleza do fundador, e uma tacada de mestre, pois o ponto garantiu visibilidade da marca entre pessoas de todo o país que passavam por lá em suas viagens. Foi assim que logo veio o segundo ponto, em Brasília, já num formato à época pouco explorado no setor de perfumes e cosméticos no Brasil: o de franquia.  Mais uma aposta acertada. Em 1982, abria sua primeira fábrica e a expansão com franquias foi fundamental – hoje, O Boticário é a maior rede de franquias de beleza do Brasil e a oitava maior varejista do país no quesito faturamento.

Em 2011, a empresa deu um passo para outro tipo de varejo, o chamado porta-a-porta (no qual Natura e Avon já operavam com força!), lançando para esse canal a marca Eudora, com um portfólio com cerca de 300 itens, entre perfumes, maquiagens, produtos para corpo e banho, além de acessórios. No ano seguinte, outro modelo entra no portfólio: a BeautyBox, rede física de lojas multimarcas de beleza com foco na venda de importados. 

Em 2012, a empresa criou a Quem Disse, Berenice?, marca que nasceu com a proposta de liberdade, desafiando padrões e estéticas – ideia bastante disruptiva dentro do grupo, até então focado em marcas mais massificadas. Na intenção de começar a ter em seu portfólio bandeiras que atendessem públicos nichados dentro do universo da beleza (como o das amantes de maquiagem!), O Boticário compra em 2018 a jovem Vult, mais orientada a tendências de make. 

Diante de uma extensa rede de varejo, a companhia investiu também na distribuição de produtos. Para isso, nasceu em 2016 a Multi B, que administra no Brasil marcas de beleza mundialmente conhecidas, como Australian Gold, Bio-Oil, Revlon, Lee Stafford e Nuxe – além disso, cuida de distribuir para além da rede própria também as marcas do grupo Eudora, Quem Disse, Berenice? e Vult. Recentemente, a Multi B lançou sua primeira marca própria, a Eume, de produtos para cabelos com fórmulas simples e fáceis de entender.

Rebeca de Moraes é jornalista, pesquisadora de tendências e comportamento de consumo, e eterna estudante de psicanálise. Especialista em business da beleza, adora contar as boas histórias que existem por trás dos números.

{Rachel Cheng/ Unsplash e reprodução Instagram, @esteelaudercompanies, @esteelauder, @maccosmetics, @bumbleandbumblebr, @tomfordbeauty, @clinique, @lorealparis, @itcosmetics, @urbandecaycosmetics, @larocheposay, @essie, @shiseido, @narsissist, @cledepeaubeauteus, @lauramercie, @drunkelephant, @katesomervilleskincare, @hourglasscosmetics, @nexxushaircare, @lovebeautyandplanet, @paulaschoice, @pantene, @herbalessences, @olay, @hairfood, @aussiebrasil, @kylieskin, @marcjacobsfragrances, @sally_hansen, @covergirl, @miumiu, @maquiagemnatura, @naturabroficial, @aesopskincare, @avonbrasil, @thebodyshopbrasil, @vult, @eudora,@oboticario, @quemdisseberenice e @eume}

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